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sábado, 13 de agosto de 2016

Impressões: A velha casa na colina, de Fábio Barreto

A constância nos posts vai voltar, ao que parece, e nesta retomada trago mais um livro de autor brasileiro contemporâneo. Capa, sinopse e minhas impressões sobre A velha casa na colina, de  Fábio Barreto, logo abaixo.




Nick Pershin tinha a vida pela frente, com sonhos e ambições, mas, ainda na infância, decidiu bater à porta da velha casa na colina e viu tudo ruir conforme foi lançado num rodamoinho repleto de morte, tragédia e uma decisão irreversível a ser tomada. 



O livro é menor do que eu esperava. Na verdade, só agora que fui buscar a sinopse e capa na internet foi que li na descrição que é um conto. Provavelmente o meu desconhecimento só melhorou a experiência de leitura, afinal eu estava determinado a não ler mais contos até o fim do ano, e não saber o número de páginas (leio no kindle) me proporcionou terminar esta prazerosa história que passaria batida caso eu a colocasse na coleção de contos. Assim sendo, vou estruturar o post de modo a mesclar as observações que faço a romances com a brevidade dos comentários que faço a contos. Bom, chega de falar de mim, vamos à história! 

A sinopse é genérica e não representa o enredo, mas chama atenção e, bom, talvez seja isso que conte... Nick começa como uma criança comum, presencia um evento sobrenatural traumático e reaparece jovem adulto para dar prosseguimento à história como protagonista. Esse prosseguimento de narrativa é algo notável ao leitor com certa facilidade, pois os fatos (principalmente as reações das personagens aos eventos) são forçados a um nível teatral. Levando em conta que contos precisam de uma agilidade maior no andamento e atribuindo tais exageros comportamentais e psicológicos na parte sobrenatural da história, acaba que a "forçação de barra" é relevada e a leitura segue sem percalços.

A narrativa é bastante visual e não se perde em nenhum momento. É daqueles livros que não deixa o leitor se afastar com facilidade, tamanha a linearidade da sequência dos fatos narrados. Na parte descritiva há um soluço ou outro, mas nada de alarmante, como em:

"A peça de metal, no formato de cabeça de cavalo, segurava uma argola dourada e protegia a entrada, intocada há décadas. Ela era gigante, pois, por muito tempo, também foi utilizada como sanatório local."

O trecho inicia descrevendo uma aldrava bem amadoramente, mas é na segunda frase que fica esquisito. O "pois", por ser conjunção coordenada explicativa, deveria estabelecer uma causa ou justificativa, mas não existe tal coisa entre o prédio ser um sanatório e a porta ser gigante. São coisas pequenas como palavras soltas, e uma questão pertinente surge desses solavancos. No início do ebook é comentado que o autor mora nos Estados Unidos, e trabalha com roteiros; será que o livro foi escrito originalmente em inglês ou em português? Nada sobre isso é comentado. Me fiz essa pergunta especificamente ao chegar no trecho seguinte:

"Thomas tentou acalmar o filho, mas ele continuava a tagarelar sobre Clive ter sido engolido. Quando entendeu o cenário, praticamente..."

A palavra "cenário" não é costumeiramente usada como "situação" no Brasil (embora seja usado regularmente em ambiente de empresariado, workshops e coisas do tipo), mas é nos EUA. Fica a dúvida. Entretanto, como os exemplos mostram, são apenas escolhas de palavras específicas que trazem algum estranhamento, nada de pavoroso; qualquer leitor pode seguir até o fim e até passar batido por elas, nada disso vai fazer alguém desistir da leitura.

O único momento que achei menos divertido foi a cena do fantasma na ponte. Excetuando a tensão no clímax da história, A velha casa na colina é um livro tranquilo e não tenta dar sustos no leitor. No geral é uma história de suspense bem estruturada, com um pontual dramalhão sentimental neste ou naquele diálogo e enredo de fácil assimilação. Não vai muito além disso. 



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domingo, 3 de abril de 2016

Impressões: Horror na colina de Darrington, de M. V. Barcelos


Recebi o livro autografado e acompanhado de um material espetacular de divulgação, o que me deixou com uma ótima impressão inicial. Minha opinião sobre o romance de estreia de M. V. Barcelos vem logo abaixo da sinopse:


Horror na Colina de Darrington


Você acredita em fantasmas? Ben Simons é um rapaz órfão de 17 anos que vai para a casa dos tios ajudar a cuidar de sua priminha Carla após a tia ter sofrido um derrame. Apesar da infeliz situação de tia Julia, Benjamin esperava que a Colina de Darrington fosse um lugar de certa tranquilidade. O que encontra, porém, é uma trama de terror e sangue, cujo único propósito é a conquista de um poder absoluto e inimaginável por meio de forças malignas. A casa esconde segredos terríveis e sombrios. Conheça os caminhos mais tortuosos da mente humana e descubra até que ponto alguém chega para salvar a vida de um ente querido neste intrigante amálgama de suspense e terror sobrenatural. Onde termina o inferno e começa a realidade? Junte as peças e descubra. Sem dúvidas, esta é uma história para aqueles que não têm medo do escuro e de todo o mal que nele habita.


Horror na colina de Darrington é uma novela de poucas páginas e enredo intenso, feita na medida certa para ser lida de uma vez só. A narrativa em primeira pessoa, quase epistolar, se alterna em alguns momentos com matérias de jornais, relatórios policiais e até transcrições de documentário, fazendo da história uma espécie de quebra-cabeças, um mistério policial a ser desvendado. Particularmente essa é um estrutura de enredo que gosto muito, e aqui só abrilhantou o suspense do livro, seu ponto mais forte. A confusão de Ben, ao se dar conta de fenômenos sobrenaturais e dos presságios que eles anunciam, é crível e a identificação com o personagem é quase imediata, apesar do pouco que sabemos dele. E da mesma maneira, sem muitos aprofundamentos em passado (ou mesmo características físicas), é possível formar a imagem de cada um dos personagens na trama.

O número reduzido de pessoas ajuda, mas é o papel de cada um na história que define o perfil e fixa sua imagem na cabeça do leitor, e não digo isso à toa: cada evento que ocorre é um choque, um degrau de escadaria para que possamos saciar nossa vontade de ver o desfecho. Não há espaço para tergiversar, e essa concisão foi um dos pontos altos do livro. A narrativa é direta, os cenários são poucos e são poucos agentes, mas as informações são muitas, abalando a descrença de Ben e levando-o numa sequência de escolhas difíceis e contagiando o leitor por tabela.

O ponto fraco do livro são os diálogos. Apesar das falas de Carlinha serem bem construídas (que são mais fáceis de criar, por serem de uma criança pequena), o resto dos personagens segue uma linha diretiva que não oscila, e todos parecem falar e agir da mesma maneira, independente de idade, papel na trama ou sexo. O mais evidente disso está nas conversas de Ben com uma personagem feminina, da idade dele e estranhamente formal no linguajar.

Horror na colina de Darrington é uma história rápida para quem gosta de suspense, ação, ocultismo e teorias da conspiração. Recomendo e desejo ver mais do autor, com certeza.






segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Impressões: Silo, de Hugh Howey


Minhas impressões sobre Silo, de Hugh Howey:



Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo.
Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.
Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.
Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última.


Em Silo acompanhamos a vida de uma micro-sociedade dentro de um bunker, morando há centenas de anos na estrutura autossuficiente sem saber realmente o que existe (ou se há qualquer coisa) no exterior. Após alguns eventos que exigem uma reestruturação dos cabeças, Juliette, uma moradora dos níveis mais baixos do silo acaba ocupando um dos cargos e descobrindo verdades perigosas sobre o que se passa na alta cúpula. Para ser silenciada, é enviada para o exterior - a sentença de morte - não sem antes plantar em alguns cidadãos a semente da desconfiança sobre aqueles que os governam.

Alguns elementos da narrativa relacionados a ciências aplicadas chamam atenção para o nível de precisão empregado, o que enriquece a leitura, mas no geral é uma história contada de modo lento, de progressão enfadonha e um uso duvidoso de poesia.


“'O volante que abre a porta não gira', ouviu em algum recôndito de sua mente. 'É uma porca emperrada.'”


Acima temos uso inteligente das porcas emperradas, uma analogia coerente que reforça a personagem e situa o leitor sobre o que ocorre, porém a mesma figura simbólica é usada em várias ocasiões, deixando a impressão de que Juliette só pensa em porcas e parafusos, até quando se depara com corpos humanos. Duas repetições marcantes são o som das pisadas de botas nos degraus da escadaria e o frio do corrimão; imagens recorrentes demais, que surgem quase sempre que a escadaria que une os andares do silo entra em cena. Outros empregos esquisitos aparecem na narrativa, demonstrando pobreza de vocabulário ou, pelo menos, má tradução:


"Os dois partiram apenas com uma faca, que Juliette tinha muita sorte de ainda ter. Como o objeto sobrevivera ao mergulho nas profundezas da mecânica era um mistério."

"Ela avançou pela estufa, os galhos das plantas se tocavam no meio do caminho como se estivessem dando as mãos, e então chegou até a bomba de circulação."


As descrições são breves, mais voltadas para a ambientação, cheias de sensações e carentes de detalhes visuais. Mesmo os personagens principais quase não possuem características físicas. É uma maneira difícil de estabelecer personagens, mas Hugh Howey consegue com a maioria deles. Alguns secundários, no entanto, ficam livres para a imaginação do leitor criar do zero. No geral, a falta de descrições desemperra a leitura, muito densa por conta da narração, e alivia um pouco o texto.


"O quarto dele era aconchegante e de bom gosto, com apenas uma cama de casal, mas bem-arrumado. As fazendas superiores eram apenas um dos mais de dez grandes empreendimentos privados. Todas as despesas de sua hospedagem seriam cobertas pelo orçamento de viagens do gabinete dela, e aquele dinheiro, assim como o proveniente dos outros viajantes por alimentação e hospedagem, ajudava o estabelecimento a adquirir artigos de melhor qualidade, como os belos lençóis dos teares e colchões que não rangiam."


O trecho acima foi algo que quebrou minha visão do silo. Em realidade, o livro inteiro parece ser análogo à transição de socialismo estatal para comunismo utópico, ao menos quando se percebe que os segredos da ala da TI progressivamente caem por terra e o o enredo caminha para uma conscientização geral da população sobre o que é o silo e qual o papel de cada um para se manterem vivos num mundo em ruínas, cada qual empregando seu papel não por obrigação, mas por consideração comunitária ao bem de todos. E de repente surge esse sistema monetário que não tem explicação alguma, e ainda reforça o sistema de "castas" estabelecido pela posição geográfica dos andares do silo (quanto mais profundo é o andar, menos conforto é oferecido aos moradores). Excluindo isso, existe uma coerência muito grande na história, tanto de cenário quando na trama.


O que gostei:
- Muitos mistérios, e apresentados de maneira a instigar a leitura.
- O conceito do cenário.
- A ambientação.

O que não gostei:
- Muita repetição com algumas metáforas.
- Alguns personagens passam em branco, não têm nem descrição física.
- Ritmo lento.


Considerações finais:
Silo logrou sucesso em me fazer terminar um livro de ficção científica, mas não sem alguns percalços. A história é lenta e é difícil pegar todos os personagens secundários - que só ganham papel ativo mais para o final - mas a história é interessante e os diversos mistérios vão puxando o leitor pelas páginas, de forma que quase todo capítulo termina com um clifhanger. Vale a pena para quem busca uma ficção científica cheia de suspense.


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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Impressões: Os últimos casos de Miss Marple, de Agatha Christe


Pela primeira vez li um livro da Agatha Christie, e posso dizer que minhas expectativas foram alcançadas. Li o livro um pouco antes do Mês dos contistas brasileiros, e para entrar no ritmo, preferi usar um livro de contos para conhecer a autora. E não sendo um romance, vou me valer de breves comentários, sem me ater a uma avaliação mais detalhada, como venho fazendo com contos.

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Todos os contos usam de narrador impessoal, se me lembro bem, e não há grandes discrepâncias na escrita de um para o outro, de forma que é melhor agrupar contos que merecem os mesmos comentários, já que não vou destrinchar a história de nenhum deles:

Uma piada incomum
O caso da fita métrica
O caso da zeladora
O caso da criada perfeita
Miss Marple conta uma história

Esses cinco contos acho apropriado comentar conjuntamente, pois tratam-se basicamente da mesma premissa: um caso criminal ou um mistério, aparentemente indecifrável ou de solução evidente. Paradoxal? Talvez, mas aí é que entra a genialidade de Miss Marple, a famosa senhora de percepção aguçada que empresta nome ao título do livro. Sempre aparecendo como uma velha senhora indefesa, amigável e insistentemente curiosa, a velhinha não se cansa em surpreender as personagens e o leitor com seu poder investigativo, do tipo que marcou uma era. É claro que hoje as histórias policiais são muito mais esmiuçadas, visando a participação do leitor no descobrimento da solução, mas Miss Marple, como Holmes, fazem parte de uma leva diferente de detetives, de uma estirpe que exala perspicácia por onde passa, e o leitor precisa aprender o seu lugar de expectador, e esperar pela "mágica" proveniente do raciocínio lógico. As histórias seguem este mesmo padrão, com uma escrita fluída e fácil de entender, para qualquer tipo de leitor.


A boneca da modista
Através de um espelho sombrio

Estes dois contos eu preferi separar dos demais, justamente por não conter a presença de Miss Marple, mas principalmente por possuírem um tom sobrenatural na narrativa. Definitivamente foi uma surpresa encontrá-los na coletânea, mas de modo algum decepcionante; pelo contrário, mostrou em um só título a versatilidade da autora, que conseguiu manter seu estilo agradável de construir um mistério - e conservando a solução sendo extraordinária demais, ao ponto de extrapolar as suposições do leitor - em tramas de suspense fantástico.


A extravagância de Greenshaw

Por fim, destaco este conto dos demais, que podia muito bem estar agrupado no primeiro, mas escolhi separar dos demais apenas por ser meu preferido. Se não me engano é o conto mais longo e com maior desenvolvimento, e provavelmente seria um que eu colocaria numa lista de releitura, mas acho que a obra de Agatha Christie é extensa demais para eu me ater a releituras pelo menos antes de conferir outras histórias.






sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Impressões: O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman



Para fechar o mês de Janeiro, a mente criadora de Sandman: Neil Gaiman e seu mais recente livro, O oceano no fim do caminho. Vamos à sinopse:

O Oceano no Fim do Caminho

Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. Esta belíssima e inquietante fábula revela a singular capacidade de Neil Gaiman para recriar uma mitologia moderna.

Diferente de muita gente, não sou arrebatado por tudo que o Neil Gaiman escreve, embora eu gostar minimamente de tudo que leio dele. Talvez a 'primeira vista' - Sandman - tenha marcado demais minhas expectativas, e sempre que eu busco algo novo dele, vou achando que vai ser tão bom quanto. Infelizmente esse desejo meu nunca se concretizou. Oceano é o livro mais pessoal do autor, e de fato há um realismo denunciante nas passagens descritivas, mas a declaração de Gaiman sobre sua relação com o livro pode ter um peso maior nesta percepção, já que, em MUITOS aspectos, a narrativa se vale dos elementos comuns que fizeram Neil Gaiman ser quem é. A tristeza quase apática do enredo, gatos e três mulheres de importância cósmica, é preciso algo mais para Gaiman misturar e criar uma ótima história? Talvez portas.

Oceano carrega o leitor para uma memória britânica bucólica do menino sem nome, e a habilidade de escrita de Neil Gaiman evoca rapidamente aquela identificação demasiadamente sentimental que nos leva a reflexões e memórias próprias. O nível de semelhança, entretanto, pode se tornar também o ponto fraco da narrativa. As particularidades da personagem principal são tão específicas que podem não surtir efeito nas pessoas que não passaram por situações parecidas. Neil Gaiman fez o livro para adultos leitores, aqueles que nutrem desde a infância o amor pelas histórias maravilhosas da ficção e possuem a mente criativa dos entusiastas literários. E quem não é assim, vai gostar do livro? Provavelmente, afinal não gostamos apenas dos presentes destinados a nós.

O plot, que é uma mistura espiritual de Coraline e Caçadas de Pedrinho, nos leva à construção simples de Gaiman, sem muitos rodeios linguísticos, mas satisfatória em criar aquela atmosfera cinzenta. Suicídio, possessão, fantasia e sonhos que escapam do território onírico são apenas alguns elementos na grande aventura que espera quem tem coragem de revisitar a própria vida.

O que gostei:
- Atmosfera do enredo criada com maestria
- Personagens interessantes
- Muita informação subtendida

O que não gostei:
- O livro tem muita fantasia em meio a muita realidade. O desnorteamento é grande em algumas passagens
- Algumas atitudes de personagens são muito extremadas. Apesar de não ser irreal, surge algum desconforto ante reações tão inesperadas

Considerações finais:
A ruazinha misteriosa é o único cenário do livro, mas por suas bordas e entremeios, o menino introvertido e o leitor vão se descobrir muito mais fracos do que imaginavam. Sim, fracos; Oceano quebra aquela quase obrigação de seguir a jornada do herói dos livros de fantasia. Dizer mais que isso seria tentar preparar alguém para o imprevisível. Mergulhe no oceano.