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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Impressões: Bukowskianos, de Murillo Magaroti


No embalo da leitura, vou quebrar minhas regras textuais e fazer a resenha ao estilo Bukowskiano. Nada de tópicos com pontos positivos ou negativos – fazer o quê? Gosto de listas, e você também, aposto! Em Bukowskianos, Murillo Magaroti oferece um verdadeiro trabalho de fã, e isso não é só evidenciado no título; segue a sinopse:


Bukowskianos traz 43 pequenos contos que falam principalmente de gente sem muito brio, bebidas, escritores e da complexidade em tudo na vida. São contos que passeiam pelo mundo da crônica e que fazem inúmeras referências à obra do escritor Charles Bukowski.

Não só a temática que se assemelha, a estruturação gramatical é constantemente voltada à quebra de regras, gerando um texto amorfo que preza a liberdade para o autor e do leitor. O que obtemos disso é uma leitura ágil, fácil e bastante coloquial, que muitas vezes consegue estapear o leitor no rosto e dizer ESTÁ VENDO? VOCÊ SE IDENTIFICOU COM ISSO, NÃO FOI, SEU VAGABUNDO?!

O estilo de Magaroti é claramente mais que inspirado, é uma simulação de Bukowski. Isso pode ser recebido de duas formas. A primeira é a falta de voz do autor, o que pode ofender os de coração mais romântico e artistas por natureza, ainda que não por profissão. A segunda – que deixo claro ser a minha visão – é que, ainda que mimética, a escrita é MUITO BOA; Bukowski era autêntico e escrevia bem, então é apenas normal confirmar o mesmo de Bukowskianos. Como já falei acima, o texto é muito bem trabalho tanto em temas quanto em estilo, vai ser muito difícil um fã do autor consagrado não gostar desta obra de Murillo.

Para não dizer que não vi nada de errado na minha leitura, achei que o pessimismo e a ebriedade das histórias sempre ficavam um pouco atrás da obscenidade, que era sim um traço marcante de Bukowski, mas ele não era só isso. Talvez seja só uma questão de dosagem.

No final das contas, Bukowskianos é um excelente trabalho, notável por ser o primeiro de Murillo Magaroti. Recomendo o livro a putas e vagabundos de todos os calibres.



domingo, 10 de fevereiro de 2013

O que estou lendo

Da mesma forma que fiz com Lovecraft (e ainda estou fazendo, pois não terminei ele), peguei um apanhado de coisas de Ray Bradbury para ler uma após a outra. Na verdade é um livro só, mas ele é uma coletânea de contos, então dá pra considerar:

Las Crônicas Marcianitas

Até agora estou curtindo as histórias(já li 5 ou 6). Estava lendo Space Opera II da editora Draco, mas cheguei no conto MAIS CHATO DO BRASIL, e estou seriamente pensando se apenas pulo ele ou se largo de vez o livro.
No mais, só isso!

domingo, 23 de outubro de 2011

A reação presente e a reação futura

Ele chegou o mais rápido que pôde. Até ultrapassou alguns sinais fechados, mas só depois de ter certeza que não morreria nessa imprudência. Quando chegou a casa, seu vizinho Gilberto já estava na calçada, afoito.

- Eu ia ligar pra ambulância também, mas sua mãe falou que você estava aqui perto...

Ele sai do carro correndo, não tirou nem a chave. Os dois entraram e lá estavam as duas caídas no chão. A esposa, desacordada, de bruços no tapete e a mãe dele, meio torta, desmaiou quando estava apoiada numa cadeira de madeira. Não chegou nem a cair, foi deslizando devagar até parar no chão, meio desengonçada.

Na porta do hospital, os enfermeiros levaram as duas, e ele ficou preenchendo papéis. Percebeu que a mão tremia, a caneta não parava quieta. Esperou, esperou. Sentiu vontade de fumar um cigarro, mas era proibido lá dentro. E também não tinha nenhum cigarro, afinal de contas nem era fumante. A mãe dele tinha problema respiratório, já não lembrava de muita coisa, sofria com osteoporose... Tomava quatro comprimidos por dia. Até que não estava tão mal. E a esposa? Nunca apresentou problemas de saúde, um desmaio repentino é para se preocupar.

O médico finalmente o chama. A mãe faleceu. Ele chorou, e depois pensou. E continuou chorando. Um tempo depois, foi chamado para o quarto onde estava a esposa. Ele passou no banheiro antes, para lavar o rosto e se recompor. Quando chegou ao quarto, ela estava bem. Não parecia ótima porque ninguém fica ótimo numa cama de hospital.

- Você vai ser pai – ela disse chorando de felicidade.

Pessoas diferentes pensam diferente, e principalmente, lembram diferente. Alguém pode lembrar-se deste dia com dificuldade, como sendo o dia em que recebeu a melhor notícia da vida, e que sua mãe finalmente conseguiu o descanso merecido, após uma vida dura e satisfeita. Outra pessoa lembraria esse dia fortemente, cada segundo dele, pois foi o dia mais triste de todos. A notícia do filho foi uma dádiva, porém ele já havia perdido o pai; perder a mãe tão de repente, sem aviso, simplesmente ele perdeu a única chance de dizer tudo que gostaria. Será que era a única mesmo? Foi um dia muito triste.

O jeito que você age, as coisas que fala, daqui a vinte anos vai se lembrar com saudade e satisfação, ou com pesar e arrependimento? Ainda é tempo de escolher como você vai se sentir no futuro, pois no presente, não dá para controlar. Sobra apenas a dúvida de qual notícia pesa mais.