quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Impressões: Menina bonita bordada de entropia, de Cirilo S. Lemos

Desde que comprei o kindle, tenho lido muito mais do que era costume, e leiam "muito" no sentido mais superlativo que a palavra puder significar. Pela portabilidade, comecei a ler também fora de casa, em filas e bancos públicos, mas isso não era muito frequente devido à aparência dele ser atrativa a larápios, ainda que seu uso não. Tudo mudou quando resolvi instalar o app do Kindle no meu celular: passei a ler bem mais nas tais filas e bancos sem a preocupação de levar outro aparelho, ainda que portável. E o alvo de leitura também mudou, antes eu saía com o kindle e continuava a leitura que fazia em casa, agora uso o celular exclusivamente para uma leitura rápida, de contos e textos menores. Foi nessa minha (já não tão) nova rotina de leitura que acabei lendo o conto do Cirilo, que por sinal está bem barato na amazon. Vamos às minhas considerações.

Menina Bonita Bordada de Entropia

Sinopse: Uma embarcação da Sociedade Tecnocrata, repleta de demônios pescadores, resgata do leito lamacento do mar uma Menininha. A ideia é devorá-la, como a iguaria que é. Mas o Capitão, um autômato classe Norton e funcionário exemplar, prefere obter a autorização da empresa antes. Cercada por demônios e robôs, que chance pode ter uma adorável Menininha?

A sinopse é curta e direta, mas resume bem tudo do enredo do conto. Sim, é basicamente uma menininha robótica sendo resgatada por um barco com demônios/robôs, e a conclusão desse encontro inusitado, que também é rápida e bastante simplória. A pobreza do enredo só ajuda a exaltar a principal qualidade do conto: o estilo de escrita do autor. Não tenho certeza se esse é o estilo costumeiro do Cirilo ou se ele estava fazendo experimentações com o conto, afinal é o primeiro texto dele que leio, mas o resultado é excelente (e ouso dizer até raro). A escrita dele se encontra num meio termo razoável, que não é completamente direto e narrativo, mas foge à densidade exacerbada e cansativa da maioria dos textos mais rebuscados. É simples, no entanto, poético. Recomendo contundentemente que leiam.

O que gostei:
- Escrita primorosa
- Descrição de cenário eficaz, que deixa curiosidade sem fazer o leitor se confundir ou se interessar mais pelo mundo que pela história
- Estrutura do texto simples bem montada

O que não gostei:
 Não consegui ver nenhum defeito no conto

Considerações finais:
Aprovado com louvor, Menina bonita bordada de entropia é um ótimo conto, e indico para qualquer leitor, independente de gostos literários. Achei um erro ortográfico apenas, e o preço do ebook é muito barato. COMPREM. Pretendo algum dia ler mais coisas do autor.






quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Impressões: Revista Trasgo #1


Dando continuidade à minha seção de opinião, vou fazer uma resenha da Revista Trasgo número 1. Iniciativa louvável do Rodrigo van Kampen para a disseminação da leitura de ficção, mas não é isolada; vários projetos parecidos estão surgindo concomitantemente - como a Pulp Feek - o que é excelente para o cenário de fantasia e ficção científica nacional. Friso bem "fantasia nacional" pela riqueza da mesma, que abrange não só a fantasia internacional, da qual somos consumidores, como também a criação de histórias originais pautadas em uma vivência local dos autores e a utilização do nosso folclore como fonte de idéias. A Trasgo reflete bem essa mistura e abundância de conteúdo heterogêneo. Achei pouquíssimos erros, alguns claramente de digitação, e a edição foi excelente, uma grata surpresa para mim no kindle - ambiente em que até os ebooks profissionais podem ter uma diagramação fraca. Como são poucos contos, comentarei cada um individualmente.






Ventania, de Hális Alves,  traz um conceito interessante, um tipo de Mad Max nordestino. Somos apresentados a um cenário pós-apocalíptico bem interessante, onde Ventania é um reduto autosuficiente na forma de uma fortaleza/moinho-de-vento. A escrita da parte de ação no final do conto me pareceu muito confusa, não sei se foi intencional pela cena, mas não curti. Espero ver mais alguma coisa do autor neste universo, que achei bem promissor.



Azul, da Karen Alavars, eu pulei, pois já tinha lido anteriormente. Procurei minha opinião sobre o conto e não lembro aonde postei, mas em poucas palavras, é um conto de terror psicológico bastante abstrato (característica que adoro e uso bastante) e se encaixa muito bem no gênero horror. Só lendo para sentir, e só depois, entender.



Náufrago, de Marcelo Porto, é meu conto favorito. Talvez por eu ter andado tanto de ferry boat em Salvador, me identifiquei com muita facilidade, e mesmo sendo minuciosamente crítico com viagens temporais, neste caso não me senti incomodado. Parabéns ao Marcelo.



Em Gente é tão bom, de Claudia Dugim, encontrei um conto de um humor "cinzento", quase negro, algo que gostei logo de cara. A autora fez uma caracterização muito boa da personagem egoísta, gananciosa e até sádica. Não me tirou risadas, mas me prendeu e conquistou o meu ódio para com a repulsiva personagem principal.


Sobre A torre e o dragão, de Melissa de Sá, acho que é o conto mais longo da revista. Uma fantasia tradicional vista por uma ótica diferente. Gostei do estilo da Melissa de Sá; não é uma escrita densa nem leve, é um meio termo saudável que consegue agradar aos dois públicos. Conta a clássica história da donzela raptada, reestruturada neste conto de final surpreendente.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Feliz ano novo! E algumas leituras.

Após um longo hiato, cá estou para desejar um bom 2014 a quem por aqui passar. E claro, sem delongas, vou falar de duas leituras que fiz nesse fim de ano, confiram a seguir.



O ebook de terror da vez foi o Branca dos mortos e os sete zumbis e outros contos macabros, do Fábio Yabu.


Bom, peguei este livro num momento de necessidade, queria algo rápido e com o tema terror, mas me decepcionei nos dois âmbitos. No "rápido" porque foi rápido DEMAIS. Para se ter uma ideia, a versão que peguei tinha na verdade apenas um conto, Os três lobinhos, e mesmo ele é colocado de forma a passar uma impressão errada. O conto inicia aos 60% do ebook!!! Confesso que me senti enganado de ver que mais da metade do ebook é de dedicatória, prefácio, ilustrações, etc. Mas OK, vamos considerar isso como um engano honesto. A história a queda dos deuses lobos, e como eles resolvem retomar a sua glória de outrora. Aí entra a minha decepção com a parte de 'terror', pois apesar de apresentar uma cena violenta, não é exatamente assustadora. A linguagem é fluída e a composição do texto é boa. Meu veredito é que Os três lobinhos é um bom conto, mas a forma que ele se coloca para o leitor, seja na temática do texto ou na parte editorial, gera uma expectativa para algo que não existe.

Antes de encerrar minha consideração, devo dizer que vi o nome do conto abaixo do título, mas não imaginei por isso que fosse só ele a estar no ebook. Para piorar a confusão, o link que me levou até a página de download mostrava a sinopse da coletânea, e não apenas do Os três lobinhos.

***


E finalmente lendo alguma coisa do fenômeno digital: Vanessa Bosso! O livro foi o Imortal, disponível na Kindle Store. A sinopse é curtinha, vejam aí:

Ele não é um vampiro, mas, acaba de completar 533 anos. A vontade de morrer é a única coisa que o mantém vivo. Até que alguém surge em sua vida… alguém capaz de mudar tudo. Deixe-se transportar para o Vale do Loire e descubra que o amor verdadeiro existe, independente do tempo e do espaço. Desvende os segredos por trás da imortalidade e deixe-se apaixonar por esse romance imortal.

Não sei bem como classificar: romance, ficção científica, fantasia... A história tem um pouco de cada. Mas isso não é importante, a história em si que é, e nesse caso terminei a leitura satisfeito. A autora tem uma escrita leve, bem contemporânea e rápida; isso percebi logo nas primeiras páginas e se manteve firme até o final. O plot, entretanto, me deixou receoso nos primeiros dois terços. A história começa com a apresentação de Nicolas, o imortal, e basicamente deixa o leitor a par de sua vida como um todo. 

Somos apresentados à busca pela máquina do tempo, e esse parece ser o grande motor que vai levar a história, mas de repente, a situação muda e a leitura se transforma num romance desencontrado entre Nicolas e Sofie, uma viajante que chega até a casa dele com o carro quebrado. OK, me senti meio sem foco, mas a escrita é tão tranquila que fui levando, mesmo sem saber qual seria a ideia central que o livro apresentaria como problema para ser solucionado. Acaba que o livro chega perto do final e não te apresenta isso, quase achei que o livro seria uma crônica sem rumo demasiadamente extensa. E no final, para minha surpresa, acontece uma reviravolta muito legal, que não te permite parar até ver o desfecho.

O livro é bom, a leitura é simples, mas a história demora para engrenar (talvez até mais que a maioria aguentaria). Recomendo para quem não está atrás de um livro denso ou muito entusiasmante. É algo que você pode ler entre uma ou outra leitura mais séria.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Impressões: Guardians, Volume 2, de Luciane Rangel





Sinopse: Pouco a pouco, as verdades escondidas pela antiga geração de Guardiões vão sendo reveladas. Mas, quando o grupo atual parecia estar se organizando para finalmente lacrar a barreira, mais uma das sórdidas armadilhas de Kuro consegue, afinal, desestabilizar o grupo, pondo tudo a perder. Agora, os Guardiões encontram-se separados, com quatro deles – incluindo a antiga Guardiã Sofie Gautier – presos no Mundo Youkai. Portanto, mais do que nunca, o grupo que permaneceu na dimensão humana precisa unir suas forças para resgatar seus companheiros e finalmente lacrar a barreira. Porém, além dos acontecimentos que incidem contra eles, o tempo é curto e, se não correrem, logo poderá ser tarde demais. 

Todos lutam por aqueles em quem acreditam. E você? Está lutando por quem?


Bom, eu li o primeiro livro no kindle, e vocês podem ver minha opinião sobre ele AQUI. Devo esclarecer que minha avaliação agora não leva em consideração certos pontos negativos, como a restrição de público-alvo, pois na minha visão, quem não se importou com essas coisas no primeiro livro, também não se importará no segundo, COMO ACONTECEU COMIGO. Dito isto, devo informar que comecei a leitura bastante empolgado, e ávido para saber como ia continuar a história dos 12 guardiões criados pela Luciane, e infelizmente não terminei com a mesma empolgação do início. Vamos às considerações!

O que gostei:
-Diálogos em sua maioria divertidos, definitivamente são o ponto forte da autora
-Desenvolvimento dos personagens bastante visível, e mesmo sendo uma quantidade grande, não causa confusão no leitor
-Ilustrações bonitas
-Narrativa dinâmica, sempre alternando entre os vários personagens

O que não gostei:
-Utilização exacerbada, e na maioria das vezes desnecessária, de aspas
-Muitas explicações minuciosas sobre atitudes e pensamentos das personagens, algumas vezes até sendo repetitivas
-Descrições muitas vezes inexistentes. Admito que sou um leitor e escritor mais narrativo, mas sei que pelo menos um mínimo de descrição é necessária para uma boa cena. É um defeito que não me atrapalhou em nada, mas ainda sim, um defeito
-A autora se preocupou tanto em defender os direitos homossexuais que boa parte do livro teve um caráter quase de propaganda. O casal lésbico é retratado sempre, e talvez na maior parte do livro, como um casal perfeito, cheio de amor, paixão,virtudes e nenhum defeito, mas que vive a sina de sofrer pelo 'ambiente externo ao casal' que inevitavelmente se torna o agressor, se não conscientemente preconceituoso, através de alguma atitude duvidosa. SÉRIO. A autora tem a liberdade para mostrar sua vertente ideológica - como já havia feito com o tema no livro 1 da série - mas nesta obra ela forçou demais a barra, com algo totalmente irreal e enfadonho.

Considerações finais:
O livro segue a aventura num ritmo mais lento, focado mais no desenvolvimento de personagens (alguns mais que outros) e prepara o cenário para o desfecho. Um tanto previsível, e não tão bom quanto o primeiro, mas tem bons diálogos. Assim como o primeiro, recomendo para o público otaku, eles serão bem mais receptivos que os leitores de fora dessa cultura.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um email intrigante

Olá, mais uma vez atualizando o blog, desta vez com um fato interessante que aconteceu na minha caixa de entrada do email. Eu estou escrevendo meu segundo livro de fantasia, e já faz bastante tempo que me dedico a este gênero, mas antes de entrar nele, eu escrevia bastante crônicas de humor, e devo dizer que é o estilo que mais gosto de escrever. Pois bem, eu havia escrito um livro nessa pegada há alguns anos, inclusive ele está disponível na Amazon, olha o link aí ao lado (ou clique aqui: http://www.amazon.com.br/dp/B0060NEV7O).

Pois bem, do nada recebi este email:




Acontece que eu nem lembrava que tinha conta na Bookess, muito menos que meu livro estava disponibilizado lá inteiro e de graça!!! Foi legal redescobrir isto, e mais ainda através de uma pessoa que comentou dizendo que gostou. OK, mas e aí, o que há de estranho nisso tudo? Bom, o tal comentário da Olívia NÃO EXISTE na página do livro. Não sei se ela apagou ou se eu tenho que aprovar em algum local, mas o fato é que não há nada lá. Sério, isso me deixou uma impressão "Tobby do Harry Potter" (não lembro se é esse o nome do monstrinho lá, mas enfim...).

No mais, só isso mesmo, se alguém quiser ler O ingresso e a Lei de Murphy de graça, só ir no Bookess; ou se quiser dar 2 reais, pode comprar o ebook na amazon.

Abraço e até mais!


PS: Sei que o layout está zoado, é porque o blogspot não está deixando eu corrigir o tamanho da imagem de O homem sem signo, um dia eu resolvo este problema. EDIT: já arrumei. :)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A revolução dos... bichos?

Eu ia fazer um post de impressões sobre A revolução dos bichos de George Orwell, mas ontem eu cheguei na reta final da estória e decidi que a melhor resenha que esse livro pode ter é um brasileiro comparar com o lugar em que vive. Os acontecimentos do livro são uma transposição alegórica fidedigna do que está acontecendo no país, E NÃO ESTOU BRINCANDO.


A cada passagem do livro eu tentava e conseguia relacionar com algum fato recentemente ocorrido na política brasileira. Seja a confusão semântica para desnortear os bichos (a última e que mais deu o que falar foi a redefinição de "estupro" e "democracia"), a recomposição da história da granja esclarecendo todas as mentiras do porco Bola-de-neve (a reconstrução do período da Ditadura Militar sob os olhos parciais do lado perdedor, e ainda se intitulando como "comissão da verdade"), a criação do dia das manifestações (a apropriação e em alguns casos liderança governamental das manifestações no Brasil), a reconstrução das leis na surdina (e o atual sistema legislativo que trabalha sozinho enquanto o povo assiste pacificamente ou com relutância, mas sempre aceitando as decisões); enfim, o livro está mostrando O BRASIL ATUAL. Eu deveria então fazer uma resenha e indicar para o leitor do blog, não? NÃO! Este livro não é uma indicação, é uma obrigação para o brasileiro contemporâneo, inclusive os jovens, que estão se mostrando cada vez mais leitores, porém dão tanto valor a sagas de milhares de páginas sem muita relevância intelectual e nenhum a certas obras enriquecedoras. 

Quer ler o próximo Jogos Vorazes? Por que não tira uma semaninha sem ele e lê A revolução dos bichos? Tem menos de 100 páginas, e vai abrir os seus olhos, com certeza.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Impressões: Guerra nos Nove Mundos, de Jaco Galtran



Sinopse:
"Os cavaleiros de Niflheim espalham terror por onde passam. Gigantes, orcs e toda a sorte de criaturas malignas multiplicam-se pelos Nove Mundos como pragas. Contando com a fé nos deuses antigos e no deus Balder, e guiados pela ímpeto aventureiro digno dos mais nobres heróis, não faltam aqueles que optam por viverem em defesa da justiça. O choque entre essas as duas forças gera constantes guerras nos Nove Mundos. Mas em algum lugar dos subterrâneos, um incomum grupo trava uma guerra ainda mais profunda e terrível: o confronto com seu passado. Uma batalha feroz contra suas fraquezas, medos e inseguranças. Uma jornada em busca de um propósito para suas existências, uma paz interior que talvez possa ser o único consolo em um mundo em que as guerras parecem não ter fim."

Guerra nos Nove Mundos é um conto de alta fantasia, que narra o isolamento de um elfo bardo numa gruta de uma cadeia montanhosa e os acontecimentos que decorrem neste local. Juntando-se a uma companheira elfa e um paladino desconhecido, eles exploram os meandros de algo que pode ameaçar toda a paz no mundo. Tanto as personagens quanto o teor e desenvolvimento da história mostram a grande influência dos RPGs de mesa, como a divisão de classes e raças.

O que gostei:
-O autor demonstra grande desenvoltura com as palavras e um vocabulário certeiro, características essenciais para a sucintez de um conto e que sinto falta em muitos autores contemporâneos, inclusive faltam neste que vos escreve.
-Habilidade em definir os personagens, especialmente psicologicamente. Novamente é um ponto a ser ainda mais exaltado quando se leva em conta o fato de ser um conto, muito mais curto e rápido que uma novela ou romance.
-Criatividade para criação dos nomes e do mundo em geral, mas devo ressalvar que não sou muito conhecedor do mundo dos RPG de mesa, então pode ser que já seja algo existente como as raças e classes derivadas dos jogos. Para mim, foi uma grata novidade.

O que não gostei:
-Não consigo pensar em algo que desaprovei na história. Apenas deixo claro que não vi uma grande ligação do conto com seu título. Faz mais sentido se pegarmos a ideia do título e, ao ler a sinopse, abstrair esta ideia e se preparar para algo novo e não necessariamente relacionado com a tal guerra ou com os nove mundos. 

Considerações finais:
Jaco Galtran está de parabéns, não foi a primeira coisa que li do autor e já esperava um texto de qualidade. Um conto muito bem escrito e que prende o leitor, especialmente quem tem afinidade por histórias de RPG e do gênero capa e espada. Apesar da história ser fechada e não deixar gancho para uma continuação, o leitor se vê no final desejoso por algo mais daquele mundo, querendo saber o que diabos acontece fora daquela cadeia de montanhas, e esta vontade provavelmente será saciada com O Legado de Lyraan, mais uma história do Jaco, passada no mesmo mundo.

O Legado de Lyraan pode ser adquirido na Amazon, e contém a versão revisada de Guerra nos Nove Mundos aqui no link: Amazon